Exposição “Cenografia” no Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz

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O Município da Figueira da Foz, através da Divisão de Cultura, acolhe desde o dia 20 de outubro deste ano e até 14 de janeiro de 2018, uma exposição do cenógrafo José Manuel Castanheira, intitulada “Cenografia”, no Centro de Artes e Espetáculos.

Esta é uma exposição retrospetiva baseada na obra de um dos mais conceituados cenógrafos portugueses, que viveu na Figueira da Foz entre 1963 e 1966, apresentando uma seleção das principais criações cenográficas realizadas entre 1973 e 2015, onde é possível perceber a singularidade de uma obra que não se limita ao resultado, mas também evidencia o método e os processos criativos, através do desenho, das maquetas e demais ferramentas, referências e reflexões.

Inserida na programação da segunda edição do festival Sete Sentidos, realizado pelo Pateo das Galinhas – Grupo Experimental de Teatro da Figueira da Foz, em parceria com o Município, e este ano dedicado ao Teatro e à Música, realizou-se no sábado, dia 4 de novembro, uma tertúlia, no Pequeno Auditório do CAE, abordando o tema “Arquitetura Efémera”, com a presença da encenadora Maria João Rocha, da crítica e académica Helena Serôdio e de Helena Simões, da Fundação Gulbenkian, numa conversa moderada pelo escritor e dramaturgo António Tavares.

«O que sei sobre cenografia aprendi na obra do figueirense Redondo Junior», explicou António Tavares, na abertura do evento. «Será o teatro uma justaposição de diversos elementos – atores, texto, cenografia…- ou algo mais do que a mera soma destes fatores?», questionou. José Manuel Castanheira não tem dúvidas, o teatro transcende a soma dos seus constituintes, da mesma forma que a cenografia ultrapassa a mera utilização do espaço.

«Arquitetura efémera é toda ela, o que muda é a escala dessa efemeridade», fez notar. «A arquitetura é a invenção do espaço para a vida real, a cenografia é a invenção do espaço para a ficção», sintetizou, admitindo que também ele aprendeu muito com o autor figueirense Redondo Junior. «Foi a minha primeira cartilha», disse.

Helena Serôdio passou visita à tradição teatral ao longo dos séculos, considerando que a cenografia é, hoje, «a ciência e a arte da organização da cena e do espaço teatral», num processo dinâmico que envolve encenadores, atores, espaços e questões práticas, acrescentou Helena Simões, como «a da mobilidade» – a necessidade de adaptar uma peça a mais do que um palco – e até «a da reciclabilidade», ou seja, a maior ou menor capacidade de vir a reutilizar materiais e adereços em produções seguintes.

Maria João Rocha, por seu turno, lembrou algumas das produções de Castanheira para sublinhar a sua capacidade de criar cenários que «são mais um personagem, mais um ator em cena».

Após a tertúlia, os presentes tiveram a oportunidade de visitar, guiados pelo próprio criador, a exposição «Castanheira Cenografia», e ainda de ver e ouvir o Coral David de Sousa.

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